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Baiana de 21 anos é a primeira brasileira a vencer prêmio da ONU

23 de setembro de 2019
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Baiana de 21 anos é a primeira brasileira a vencer prêmio da ONU sobre meio ambiente.
Anna Luísa criou o Aqualuz, dispositivo que torna água potável através de raios solares.

Ainda na escola, a baiana Anna Luísa Beserra traçou um objetivo: queria ser cientista e desenvolver projetos que mudassem a realidade das pessoas. Aos 21 anos, ela pode dizer que conseguiu mais do que isso: na terça-feira (17), foi anunciada como a primeira brasileira a vencer o Prêmio Jovens Campeões da Terra da Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente.

Anna Luísa é criadora do Aqualuz – um dispositivo que purifica a água através dos raios solares. Com o objetivo de levar água potável para quem não tem acesso a água limpa, a jovem biotecnologista é a primeira brasileira a receber a honraria.

De acordo com a própria ONU, esse é o principal prêmio ambiental para jovens empreendedores com idades entre 18 e 30 anos.

A ideia inicial para o Aqualuz surgiu em 2013, quando ainda estava no Ensino Médio em uma escola particular de Salvador. Na época, viu um cartaz do Prêmio Jovem Cientista, do CNPq, cujo tema era água.

Mesmo com ajuda de uma professora de Biologia e de um professor de Física, Anna Luísa não foi selecionada pelo prêmio. O pontapé mesmo para o Aqualuz sair do papel veio no curso de Biotecnologia na Ufba. Ainda no primeiro semestre, participou da incubadora da instituição – a chamada Inovapoli  e desde 2017 é apoiada pelo Centro de Empreendedorismo e Inovação da UNIFACS.

O Aqualuz já teve umas dez versões até hoje, mas o conceito sempre foi o mesmo: captar água da chuva para transformar em potável pelos raios solares. O equipamento, feito de aço inox, é um reservatório com capacidade para 10 litros. Ele é encaixado na cisterna e, lá, faz um bombeamento com o aparelho da mesma cisterna.

“A cisterna faz a captação e o armazenamento da água da chuva, mas a água não é potável. A gente resolve isso com o tratamento do Aqualuz, porque a água fica exposta no reservatório por duas a quatro horas enquanto os raios ultravioleta fazem a desinfecção”, completou. Ou seja: os raios solares tratam a água.

Na hora que o líquido estiver próprio para consumo, um sensor avisa – um sinal que passa de preto para vermelho. Há uma manta acrílica no bombeamento para remover resíduos sólidos como poeira e insetos. Esse material, contudo, está sendo substituído por algodão e outros tecidos brancos mais comuns, para que a manutenção seja feita pelos próprios usuários.

“Essa versão de hoje tem, como diferenciais, a praticidade e a durabilidade. São dois diferenciais que a gente traz devido à evolução do feedback dos usuários. Essa aproximação com o público-alvo tornou o aperfeiçoamento possível”contou.

Nordeste
Hoje, o Aqualuz está em 53 residências de cinco estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A escolha das casas foi feita através de parceiros, como seleções de fundações e projetos de aceleração que a startup participou.

A maior parte das casas – pouco mais de 30 – fica na Bahia, nas cidades de Cafarnaum, Campo Formoso, Feira de Santana e Morro do Chapéu. Ao todo, Anna Luísa estima que o dispositivo ajude atualmente 275 pessoas.

Até o fim do ano, com a perspectiva de implantação no Maranhão, Piauí e Minas Gerais, ela estima que chegue a 700 pessoas. Até o início do ano que vem, o número deve mais do que dobrar, alcançando 1,5 mil usuários.

Anna Luísa espera desenvolver mais a tecnologia, a exemplo da implantação de um aplicativo que possa acompanhar as famílias em tempo real, gerando relatórios automáticos, e da compra de equipamentos para análise da água in loco. Parte do dinheiro também deve ser usada para enviar unidades a países considerados estratégicos, como Angola e o Quênia.

Além da viagem aos Estados Unidos, Anna Luís também vai receber um prêmio de US$ 15 mil, além de um aporte de US$ 9 mil para publicidade. Haverá, ainda, mentorias, com uma etapa de 10 dias de treinamento para os sete vencedores, na Alemanha.

Criado em 2017, o Prêmio Jovens Campeões da Terra oferece a jovens ambientalistas o acesso à plataforma Campeões da Terra da ONU, cujos vencedores incluem chefes de Estado, cientistas e visionários ambientalistas que tenham liderança em questões ambientais.

Fonte: Correio 24 Horas.